Por anos, vivi tranquilamente, apesar dos problemas ao meu redor. Tinha algo que me sustentava: a certeza de um futuro melhor. É, eu tinha a certeza que tudo aquilo iria mudar e que não faltava muito. Os anos iam passando, a vida ia passando e a situação era a mesma. Eu contava os dias pra chegar a hora em que veria o mundo de outra maneira.
Mas, já dizia o ditado, a vida não é um mar de rosas. Ninguém está preparado pra perder, ninguém. Nem aquele que se julga o mais forte, nem o mais despretensioso, ninguém. E o que eu perdi? O rumo da minha vida. Talvez isso seja uma questão existencial, embora eu sempre tivesse várias e elas nunca tivessem afetado a minha vida.
Hoje é um domingo. É uma tarde estranha, nem o dia sabe como está. Ora fica claro, ora escurece. Um feriado longo termina e, talvez, boa parte dessa, digamos, melancolia ocorre porque as coisas irão recomeçar. Eu disse recomeçar? Só se for na teoria, porque, na verdade, elas nunca acabaram. E lá se vão três anos nessa história: a vida estagnada, os anos correndo e a sua visão de mundo mudando.
É, eu sei que não sou a única a ter problemas. Mas, diferente de boa parte dos mortais, eu não consigo parar de pensar neles. Se for egoísmo, pois bem, sou egoísta. Nunca reparou nisso? Porque eu disfarço muito bem o que sinto, sou capaz de sentir uma dor e sorrir como se tivesse ganho na loteria. Dissimulação? Talvez. E isso não é de todo ruim.
Chega um momento na sua vida em que você depara com certas situações. E é nessas horas que você percebe que tem o poder de ser tudo aquilo o que quer. Não, isso não é manipular as pessoas, é auto-defesa. É a lei do mundo em que vivemos. E não tem como se manter a eterna sonhadora romântica dos contos de fada. A verdade é que nada cai do céu, o mundo não é perfeito e as pessoas estão, sim, sempre querendo te passar a perna.
As pessoas se ocupam com suas vidas. E eu, me ocupo com o quê? Com o que eu perdi, com o que eu deixei de fazer, com aquilo que eu não vivo? Estou farta das pessoas me dizerem coisas que eu devo fazer, estou cansada de ser vista como uma coitadinha. Droga, eu não sou uma coitadinha! Nem faz o meu gênero.
Então, pras pessoas que eu cometi algum erro, sinceras desculpas. Se alguém achar algo pessoal nestas linhas, saibam que isso é uma reclamação com apenas uma pessoa: eu mesma. Porque não há ninguém mais culpado dentro desta mente que eu mesma.